Dia 14/15 – Turquia – Van

Turquia

No caminho para Van, estávamos no ônibus eu e Arthur.

Eu, num banco de trás e ele, na frente. Havia mais ou menos 8 pessoas no ônibus.

Perto de Van (uma das maiores cidades do Curdistão), um homem de uns vinte e tantos anos escolheu justo o lugar ao lado onde o Arthur estava dormindo. De todos os lugares vazios, ele bateu no braço do Arthur e o acordou para tirar sua mochila do banco do lado. Aquilo por si só já era esquisito. Então, ele começou a puxar assunto.

Ele tentou falar turco e curdo, mas não entendemos. Então dissemos que era brasileiros em turco, o que levou ele a perguntar: – Vocês são muçulmanos?

Arthur meio intimidado pela atitude quase violenta do rapaz, disse que sim.

Obs: Estranho fato que ele tinha lápis nos olhos.

Ele a partir de então, começou a mostrar uma série de fotos em seu celular. Disse que era do PKK e que as fotos eram de líderes do PKK e de um movimento terrorista na Chechênia.

Ele fazia o movimento com os dedos e com as mãos, como se fosse uma arma, dizendo que isso era ser muçulmano. Uma das fotos era um líder do movimento da Chechênia com uma bazuca.

Por incrível que pareça, fizemos amizade com ele.

Chegando em Van, uma nevasca nos esperava.

A rodoviária estava deserta e sem luz praticamente. Perdidos, um homem nos ajudou a achar um micro-ônibus em troca de carregar sua tevê nova gigante pela neve.

No ônibus, todos nos olharam com uma cara de espanto. Por nossas caras e nossas malas. Mas bastou eu dizer “Brasil” em turco e eles entenderem e começarem a rir.

Nos ajudaram a achar um hotel bem ruim e por incrível que pareça, conseguimos um lugar camarote para assistir Galatasaray e Fenerbahçe. Depois fomos para a casa deles, onde nos deparamos com hábitos não tão ortodoxos. E que viriam a aparecer no decorrer dos outros 4 dias em Van.

Van é a cidade mais liberal da Turquia. Não sei se por causa do frio, mas homens andam de mãos dadas e até abraçados com suas namoradas. O toque, por incrível que pareça, é algo normal aqui.

Na casa de nossos novos amigos, eles festejaram o resultado do jogo bebendo uma cerveja todos. Ser islâmico te inibe de várias coisas, o simples fato de ter algo alcoólico para todo mundo – ainda que todos fumassem muito – já era algo quase radical. Nessa noite, nos informaram como as drogas entram na Turquia por Van, por isso a cidade é perigosa por certo ponto de vista. A droga vinha do Irã, como também seríamos informados na Rússia. Essa era a porta de entrada para chegar a Istambul e então entrar na Europa.

No dia seguinte, conseguimos ficar na casa de outros curdos couchsurfers, em uma república.

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